Campeando


Ops!!!

 

Mudança de endereço.

Não deixem de aparecer em http://fcdlazarotto.blogspot.com/



Escrito por Fátima às 01h39
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Intimidade

 

A quem confiarei os meus segredos mais íntimos?

Aqueles que ninguém deve saber.

Aqueles que escondemos de nós mesmos.

 

A quem confiarei os meus segredos mais íntimos?

E todos temos segredos mais íntimos.

 

E não há ninguém. E meus amigos que hoje são outros...

À eles pouco importam os meus segredos mais íntimos...

Não lhes diz respeito minha vida passada...

Apenas a companhia agradável que DEVO ser agora...

 

E não terão eles também seus íntimos segredos?

Suas vidas vazias e superficiais explicam a ausência de segredos?

E o mistério que todos trazemos escondido num ato falho?

E a lembrança, vaga lembrança, de uma vida que hoje é outra?

 

Nunca mais encontrarei a mim mesma...

Porque me escondi tão bem que desconheço

O caminho por onde me buscar.

 

A quem confiarei os meus segredos mais íntimos?

 



Escrito por Fátima às 16h44
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Mudando o foco

 

Continuarei um pouco sumida por aqui... Estou estudando para o concurso, quer dizer, "estudando", na verdade estou lendo alguns livros que deixei de ler na faculdade e que estão na bibliografia. Eu sempre gostei mais de Literatura; estudava, mas não me dedicava muito à parte da Língua (Lingüística, Gramática, etc.) e agora estou descobrindo um novo mundo...

Ou apenas lendo com outros olhos. E o pior, estou gostando muito!

 

"Podemos pensar nele (o professor de língua materna) como alguém que ensinasse um recém-chegado a relacionar-se sem traumas com uma cidade grande. Há várias maneiras de relacionar-se com uma cidade: vão desde a visita turística, feita segundo um roteiro que passa pelos principais monumentos, e evita as regiões problemáticas, até a do policial que, por força de sua função, sobrepõe ao mapa da cidade uma espécie de 'mapa do crime'. O papel do professor de língua materna não pode ser nem um nem outro; tem de ser o de alguém que conhece a cidade a fundo e, acompanhando por suas avenidas e becos o novo habitante, vai querer prepará-lo para usufruir todas as possibilidades que a cidade proporciona, considerando inclusive necessidades que o novo habitante mal começou a sentir."

O português da gente: a língua que estudamos, a língua que falamos. Rodolfo Ilari e Renato Basso.



Escrito por Fátima às 14h20
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Sobre as mazelas nossas de cada dia...

 

 

Há tempos que venho pensando em escrever sobre as nossas pequenas mudanças diárias que de repente nos transformam em nossos próprios desconhecidos. Resolvi esperar um pouco mais, porque parece que tem algo a ver com se estar chegando na casa dos trinta, e então se pára pra pensar que "eu não era assim há dez anos atrás" e coisas do tipo.

Pode ser mesmo que tenha um pouco disso. A chegada dos/aos trinta está me abalando mais do que eu imaginava. Uma espécie de comodismo, conformismo, angústia... Talvez eu tenha feito planos demais e isso não condiz com a minha atual atitude de resignação.

Quem sabe a "jovenzinha idealista e revolucionária" é apenas mais um número que hoje compõe a imensa massa letárgica que povoa este país...  Por quanto tempo mais seguiremos calados e perplexos, olhos mudos e bocas arregaladas?

É, era melhor que eu tivesse esperado um pouco mais para escrever.



Escrito por Fátima às 16h05
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Minha Pasárgada particular

 

 

Esse lugarzinho, ali na curva do rio, foi onde vivi até meus dezesseis anos... Depois nunca mais voltei, e nem pretendo. Porque quero guardar as lembranças do jeito que elas estão. São as lembranças mais bonitas que tenho, talvez porque elas estejam modificadas pela nostalgia de um tempo que nunca mais voltará, de um tempo mágico que é a infância, e de um lugar mágico, o Feijão Verde.

Sei que se um dia eu voltar, nada mais será como na minha imaginação. Mesmo nessa foto, por satélite, não encontro muita coisa que exitia, ou que eu acredito que existia, na época de "eu menina". Mas o rio ainda está ali, a mesma curva, misteriosa, fechada de árvores, com as quais eu pintava as mais lindas telas imaginárias. E também está ali o matão, de depois do rio, que eu acreditava ser maior que a Floresta Amazônica... "eles falam que a Floresta Amazônica é a maior do mundo porque não conhecem o feijão Verde"... eu devia de ter uns cinco ou seis anos quando acreditava piamente nisto...

Também está ali, no meio do nada, o pé de mexerica, na foto, quase não dá para ver, mas era como um oásis no meio da roça. À tarde, todo mundo parava de catar algodão e sentava na sua sombra... as histórias (fofocas, piadas, causos) eram emendadas umas às outras, e se o pai não chamasse, ninguém voltava a trabalhar...

Eu nem chamo de saudade esse sentimento, porque não se pode nomear... É uma mistura estranha, algo que fez parte de mim e que está tão distante no tempo e no espaço... as pitangueiras da beira do rio, a mina d'água, a sanga que vinha do meio da "floresta" e desaguava bem na curva, os banhos no rio, o laranjal atrás de casa, as brincadeiras, o modo de falar das pessoas... as vezes, eu me pergunto como posso viver sem isso. E ao mesmo tempo dúvido que tenha sido assim...

É minha Pasárgada particular, meu refúgio imaginário...



Escrito por Fátima às 18h24
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Também quero ir...

 

Vou-me embora pra Pasárgada

 

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

 

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

 Manuel Bandeira.

 



Escrito por Fátima às 17h43
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Ausência

 

A tela em branco espera por mim... e nada há que eu gostaria que fosse dito. Nenhum poema, nenhuma imagem, nenhuma estória. Apenas um silêncio que não sei reproduzir me acompanha desde sempre.

É o silêncio das agonias infindas. Das horas eternas. O silêncio esperado e desesperado, que grita e sussurra. E preenche as lacunas da minha indignação, da minha rebelião. E substitui as palavras muitas vezes ensaiadas e nunca ditas.



Escrito por Fátima às 16h50
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O enterrado vivo

É sempre no passado aquele orgasmo,

é sempre no presente aquele duplo,

é sempre no futuro aquele pânico.

 

É sempre no meu peito aquela garra.

É sempre no meu tédio aquele aceno.

É sempre no meu sono aquela guerra.

 

É sempre no meu trato o amplo distrato.

Sempre na minha firma a antiga fúria.

Sempre no mesmo engano outro retrato.

 

É sempre nos meus pulos o limite.

É sempre nos meus lábios a estampilha.

É sempre no meu não aquele trauma.

 

Sempre no meu amor a noite rompe.

Sempre dentro de mim meu inimigo.

E sempre no meu sempre a mesma ausência.

 

Carlos Drummond de Andrade, Fazendeiro do ar, 1953.

 



Escrito por Fátima às 16h17
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E espera

 

Como doses poucas de um elixir intragável e essencial, no pântano selvagem de cada dia, a submersão necessária e absoluta. Deixar-se ir, embrenhar-se, internar-se, adentrar-se, desaparecer-se. E o nunca, tempo mil vezes desejado, e o nada, sôfrego desejo ansiado, serão enfim amalgamados no meu ser que arde em esperas.

E espera.

 

 



Escrito por Fátima às 18h34
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Poucas palavras.

 

Ando por aí querendo e sonhando demais. Por isso não me incomodo com o modo anormal do restante do mundo. E me afasto me fecho e me busco.

Decidi não tentar mais a compreensão. Pouco importa quem pensa o que pensam e se pensam. Só penso porque demorei tanto. Tanto tempo de espera por mim. Tanto tempo perdido tateando no escuro. Eu estava aqui e não sabia. Eu estava aqui e não queria. Eu queria aqui e não estava.



Escrito por Fátima às 23h55
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